sábado, abril 8

O debate online sobre Cotas Raciais

Bom. A Universidade Federal do Espírito Santo aprovou o sistema de política de ação afirmativa, contudo, ainda não definiu o percentual da reserva vagas (o sistema de cotas) e os critérios de acesso à política. No último encontro, recusou-se o percentual de 52%.

Fiz uma pesquisa rápida sobre o assunto pelo Tecnoratti (o Google dos blogs) e no Yahoo. E encontrei o mesmo debate em várias lugares desse país justa, lindo e com uma democracia racial plena:

1. As cotas no Rio Grande do Sul. Ver o blog O Olho-Dínamo, com o post chamado Democracia escandalizada.

2. Sobre as cotas em Brasília, ver depoimento de Gustavo Balduino.

3. Sobre cotas e desigualdades racial, há um conjunto enorme de conteúdo:
- Desigualdade racial começa na escola. Matéria da Folha. Mostra que, desde o ensino básico, o pessimismo racial é incutido nos negros.

- O quadro de discriminação racial no país desde a época da abolição da escravatura, artigo em ppt de
Roberto Borges Martins.

- A mobilidade social dos negros, estudo (em pdf) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

- Desigualdades Sociais no Brasil, texto de Ricardo Henriques, do IPEA. Ele prova que desigualde social no Brasil é determinada pela questão racial.

- Desigualdade racial e desempenho escolar, paper de Carlos Henrique Araújo e Ubiratan Castro de Araújo.

- Educação e Desigualdade Racial, belo artigo de Maria Valeria Barbosa.

Todos eles servem de subsídios para aqueles que querem entender melhor o motivo e a ncessidde de termos cotas raciais e sociais.



Quem se move?

Vi uma discussão sobre a web, tipicamente louca, mas interessante. No livro "A Pele da Cultura", do Derrick de Kerchove, ele conta uma história de um sujeito que se perde da floresta e diz para seu ajudante: "Estamos perdidos!". Seu assistente de pesquisa, meio assustado, meio sorridente, diz: "Nós estamos no mesmo lugar, que se perdeu foi o espaço".

Han! na hora, não saquei nada. Mas depois Derrick faz uma alusão interessante dessa história com a web. Para ele, quando acessamos a Internet estamos fixo, quem se move é o espaço. Então o conceito de espaço nas redes é sempre de fluidez. A mobilidade é sempre do espaço e não do sujeito.

Gostei da provocação e comentei com um amigo (quando estive no RJ, na quarta passada). Ele disse: "Mas isto é óbvio!". "Não é a Terra que se movimenta?. Nós estamos sempre fixos a esse movimento do planeta".

Viagem!!!! Eu hein!


Em todos os lugares

Ah! Depois de dois dias sem postar nada, por conta de uma ida ao RJ, volta à tona com uma referência ótima: Mordomia Futebol Clube. É um blog de um torcedor flamenguista que flagrou um jogador rubro-negro (Peralta) numa vida bem mundana (sexo, drogas e rock). Publicou a foto do cara na orgia no blog e apareceu para o mundo. Agora o blogueiro se tornou o paparazzi de jogador. É mole!!!!! Essa tal de sociedade tecnológica é perigosa!

Será que a atitude é ética?

Do ponto de vista do torcedor, é um serviço público. Poxa! o tal de Peralta custou a maior baba. Vive machucado. E se recuperar para jogar, nada!

Contudo, de um ponto de vista da ética da informação, o cara não foi ouvido. E outra coisa: será que o médico liberou o boleiro para poder fumar, por exemplo? Então esse tipo de atitude blogueira demarca muito bem as fronteiras e responsabilidades de quem escreve diário e quem escreve jornalismo. No entanto, o furo jornalístico tem sido marcado pelos mesmos critérios de cobertura do caso do blogueiro.

Então se um jornalista pode porque eu não posso? Virou o salve-se quem puder.


quarta-feira, abril 5

E a sociedade escravocrata ganhou?

Com a reprovação do sistema de cotas, pela Câmara de Graduação, da Ufes, a sociedade racista venceu? Sei que a mídia vai analisar as coisas desse ponto, mas a decisão escapa do Sim ou Não.

Foi um resultado apertado (21 a 17). Agora a decisão vai para o Conselho Universitário decidir. Na verdade, os coordenadores empurraram o veredicto para o Reitor. É uma queda de braço política dentro da universidade. Quem pariu Mateus que o embale.

A decisão mesmo é no CEPE. Não há derrotas nem vitórias, por enquanto. O que houve foi uma universidade dividida sobre a questão. Até lá, precisamos é ampliar os espaços de luta sobre a questão para que ela vença. Não adianta só falar que a sociedade é racista. É preciso ocupação e luta: manifestos, atos, passeatas etc!.

Maio de 68 já!

PS: A ação de depredação da Reitoria, ou o ato de protesto, é normal. A violência faz parte da luta, muitas vezes! Sem nenhuma apologia, pelo amor de Deus! É só uma constatação.

Dica: ótima descrição dos fatos de hoje é feita em dois blogs Espaço Ufes, de Lyvia Justino e Nadia Vaccari; e no Nós em Transe, de Maria Elisa e Maria Inês. Todas
quase jornalistas e blogueiras.

terça-feira, abril 4

O estudante de jornalismo como um blogueiro

Recuperei um post no Ecuarderno, escrito Pablo Mancini, a partir dos posts de Dario Gallo, chamado de 1 blog por 19 razões, que lista uma série de motivos para que um estudante de comunicação tenha um blog. Vamos a 10 dessas razões (com comentários meus):

1. Demonstra um work in progress. Em seis meses, já vai reparar como seus pontos de vistas modificaram, o aumento de seu amadurecimento e a ampliação da prática na escrita.

2. Proporciona autoconhecimento, além de atiçar a curiosidade para explorar novas tecnologias. Graças ao trabalho no blog, as idéias podem fluir de forma consistente. O pensamento brota e se concretiza no texto. Fora as tecnologias que se aprendem usar.

3. Uma boa desculpa para escrever com continuidade. Já vão chegar às redações com ritmo de escrita.

4. O blog possibilita realizar projetos. Quem quiser, por exemplo, fazer um "livro-reportagem", o blog é uma ótima linguagem e ferramenta.

5. O blog possibilita o exercício de nossas opiniões e interpretações do mundo. De forma livre. Sem constrangimentos institucionais.

6. Produzimos comunidades e relações. Para blogar é preciso ler outros blogueiros. Postamos muitas vezes assuntos que outros já abordaram. "É uma experiência coletiva do relato".

7. O blog torna-se um arquivo de suas memórias, opiniões e interpretações. Assim seu pensamento fica menos refém da memória orgânica.

8. O blog possibilita escapar das normas do lead e etc. Ativa a sua imaginação e criatividade, inventando novas formas de escrever e narrar.

9. Torna a experiência mais pró-ativa. O estudante sai da lógica passiva da sala de aula e manda ver com suas opiniões no blog. Muitas vezes o professor monopoliza a opinião nas aulas e não se tem muito tempo para o aluno se expôr.

10. Diminui as tensões na nossa subjetividade. Ou seja, exorcizamos nossos demônios ao escrever diariamente.

segunda-feira, abril 3

Um frasista de primeira

Estou lendo "A Pele da Cultura", de Derrick de Kerckhove (um dos principais discípulos de Mcluhan). Lá pelas tantas cita uma frase maravilhosa de Baudrillard:
"A consciência é um novo produto industrial"
Simples, mas direta. Vivemos cada vez em uma sociedade em que nossa identidade, nossa consciência de estar no mundo, é pautada não mais numa relação eu-outro, mas na eu-mercadoria. Hoje qualquer bugiganga que compramos no supermercado tem estilo, gosto, preferência. As mercadorias pensam: são responsáveis socialmente, a favor do desenvolvimetno sustentável, contra o trabalho infantil etc. A consciência definitvamente é um novo produto industrial.

Achei interessante como
Kerckhove rebate Baudrillard. O canadense discorda em parte do francês, ao afirmar que a sociedade é cada vez mais transparentes (as notícias e informação circulam na velocidade da luz) e próxima (sabemos o que ocorre em outras sociedades na velocidade de um clique). Logo as novas tecnologias fazem é ampliar nossas consciências, mesmo em um momento histórico em que a consciência é também um produto industrial. Haveria então uma dialética do estar consciente.

Na minha opinião, estou mais para Baudrillard. É horrível ver que hoje a única opinião das pessoas se expressam através da moda ou dos restaurantes que reqüentam. O sujeito reproduz a consciência industrializada o tempo todo. Vejo que as novas tecnologias possuem um papel importante na possibilidade de reverter esse quadro, mas ela por si não produz nem mais, nem menos consciência. É produto da própria consciência e existência humana.

domingo, abril 2

Internet diminui impacto da TV em campanhas eleitorais

Li esse post no site do Reinghold. Trata-se do resumo de uma matéria publicada no New York Times que mostra como a Internet produz mudanças na política americana. Os candidatos e partidos agora têm blogs, sites, organizam audiência públicas por meio da web, produzem campanhas políticas etc.

O mais interessante da matéia seria como os marketeiros estão estruturando as próximas campanhas presidenciais. Mas a maior mutação, indicada por analistas de comunicação política, será a diminuição da força da TV na formação de opinião do eleitorado. A Internet decidirá voto.

Para 2008 (ano eleitoral nos EUA), os marketeiros vão produzir audios que se comunicam diretamente com eleitores, por meio de podcasts. Sem contar os vídeos - sobre o perfil, as idéias dos candidatos, mas outros com ataque aos rivais - que serão postos a circular em programas de trocas de arquivos (P2P). Uma outra estratégia será a criação de comunidades virtuais de adesão ao candidato e de ódio aos rivais em espaços de redes sociais da Internet, como o Friendster (o Orkut americano).
Sabemos que há o tal do mobile markting. Uma estratégia viral de circular as campanahs publicitárias ou mensagnes políticas via telefone celular.

Tecnologias de Cooperação

Belo texto do Howard Rheingold sobre Tecnologias de Cooperação. Estou devorando tudo sobre o assunto, já que é o objeto da minha tese. O nome do paper é "Technologies of Cooperation: A New Story About How Humans Get Things Done".

Pena que é, em inglês, que leio macarronicamente. Por falar em Rheingold, acabei de comprar dois livros deles: A realidade virtual e Multidões inteligentes.

Dica: Smart Mobs