segunda-feira, março 20

Open source, uma tecnologia pronta para o uso?

Quem está estudando (como eu) o movimento open source / software livre se interessará pelo artigo publicado no Economist, intitulado Open, but not as usual. Uma das críticas ao modelo de produção aberta se deveria ao fato do excesso de liberdade dado aos "contribuidores". O jornal cita o caso de um usuário que postou um conjunto de informações falsas no Wikipédia, a enciclopédia produzida de forma colaborativa (e mais lida que o New York Times). O revés dessa "liberação geral" seria ações de controle dos processos colaborativos (como também foi o caso da Wikipedia, que endureceu os critérios de postagens de conteúdos).

É um ótimo artigo que revela, entre outras coisas já ditas, que:

- quem se dedica a produzir tecnologias colaborativas (como Linux, Wikipedia etc) não faz por altruísmo, mas por interesse próprio. Ao ser reconhecido como conteudista ou programador, o sujeito ganha notoriedade no mercado, um caminho mais rápido para ganhar um troco.

- o movimento open source são financiados por instituições públicas e privadas que querem inovações rápidas para que possam competir melhor nos seus mercados. O movimento passa a ganhar cada vez mais contornos empresariais. Cria com isso uma regime econômico novo, bem como um autovalorização do trabalho, o que faz diminuir os níves de exploração dessa classe que trabalha.

- O jornal demonstra que, de 130.000 projetos open source no SourceForge.net, pouco mais de 100 estão ativos. E destes, poucos terão resultados úteis. Para o jornal, então, o excesso de projetos não significa tantos avanços assim...

- o modelo open source seria mais uma forma de governo baseada em uma meritocracia darwinista do que uma democracia (como prega o movimento).
O texto é ótimo, provocativo e extremamente informado sobre o tema. Uma referência para quem estuda o porquê cada dia que passa os usuários de web têm optado por softwares ou sites produzidos por eles mesmos.

O artigo do The Economist foi comentado nos blogs de Juan Freire, Enrique Dans, Slashdot y Barrapunto.